sábado, 29 de novembro de 2008

Nem Sempre

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Acordar sempre foi a pior parte do meu dia, e se já sou calado por natureza, pela manhã então é que teimo em não abrir a boca. Quando acordo, ela já está a mil, andando pra lá e pra cá pelos cantos da casa, ligada no 220. Eu me sento à mesa da cozinha, o sol já incomoda e serro os olhos na tentativa de afugentar a claridade. Ela está atrasada, sempre atrasada, parece sempre estar em cima da hora, séria, meio brava, mal humorada preocupada com o relógio, passa rápido por mim, não sabe onde colocou as chaves, não sabe onde deixou os brincos.

Eu tomo café e como pão pacientemente, não me importo com o tempo, perder o horário pra mim é lucro. Deixo cair farelos de pão por toda a parte, isso sempre a deixa irritada. Ela pergunta aborrecida quando é que vou começar a me arrumar, quando vou fazer a maldita barba, quando é que vou levá-la pra sair; não respondo, antes de formular minhas palavras ela já está em outro cômodo, deixo escapar um sorriso bobo de canto de boca. Se ao menos ela soubesse o quanto gosto dela.

Ela vai embora sem me dar um beijo, sem dizer que me ama. Percebo então que amo por nós dois, nessa hora o pão fica amargo. Acordar é a pior parte do dia porque me dou conta de que ela foi embora, vai passar o dia fora e eu não vou poder ligar a cada 5 minutos só pra ouvir a voz dela. Pelos Deuses, ela é meu vício.

No final do di percebo que isso não aconteceu. Mas gosto de fingir. Sinto saudade do que minha imaginação criou.

Vivo assim, de memórias inventadas.

Um comentário:

LA disse...

È como voce diz,metade do que tu vive é imaginação.
admiro esta mesma metade. parabens lucas ;)