terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Fica pra Próxima.

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Quando meu time, o poderoso TIMÃO, Corinthians, jogou o campeonato Brasileiro pela segunda divisão foi a época mais divertida pra mim. Nem sou tão fã de futebol assim, mas aquela época foi a que mais vi jogos, que mais torci, que mais estive envolvido. Apesar das piadinhas e provocações alheias, não ligava. Não estava nem aí se era o pior time do mundo ou se estava na segunda divisão. Era meu time, ficava contente até mesmo se perdia. Porque por mais desgraçado que fosse, era meu time, não o abandonaria. Sem traições.

Pra mim traição é assim, é como abandonar o time do coração só porque ele está na segunda, terceira, quarta, trigésima divisão.

Não entendo casais que ficam loucos quando um dos dois viaja. É como se já tivessem a certeza de que um dos dois pulará a cerca. Se há traição é porque não há nenhum tipo de sentimento envolvido, é porque um deles não se importa tanto assim, é porque a relação não vale muita coisa. A pessoa que trai não ama, não respeita, está junto por pura conveniência, faz da vida a dois um passatempo, um álibi.

Quem trai é mesquinho, egoísta, não sabe o que é gostar de verdade. Normalmente é aquele tipo de gente que sai pra balada pega geral e ainda acha que ta arrasando por causa disso “Cara, sabe a festa de ontem, então, fui lá, pah, peguei duzentas” – isso ae campeão, meus parabéns, vai querer uma medalha por isso?! - .

Traição dói, amarrota, encabula, deixa a gente com aquele sorriso sem graça estampado na cara. Pior ainda é quando o traído resolve pagar na mesma moeda; trair para se vingar é baixar o nível, é demonstrar que se é tão baixo quanto o outro.

Um dia desses estava no estágio sem nada pra fazer, dois colegas de trabalho estavam jogando conversa fora e começaram a falar das “fodas” que tiveram fora do casamento. E riam, davam gargalhada, gabavam-se por nunca terem sido apanhados, festejavam como porcos que são. Fiquei atônito ao ouvir aquilo, enojado com tamanha falta de sensibilidade.

Traição machuca.

Meu amor eu guardo com carinho. Prefiro continuar na segunda divisão.

Sem traições.

Oi, quer dançar?!

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Eram duas da manhã, sábado. Tinha acabado de zerar Super Mário Bros 3....em tempo record, diga-se de passagem. No meio da minha comemoração, lembrei que era “sábado”, sábado de madrugada. É o dia onde o pessoal se arruma, a galera sai pra se divertir, o pessoal vai pra balada e pah. E eu estava jogando Super Mário. E não era diversão, era coisa séria, cheguei a discutir com a televisão várias vezes. MeuDeus, estava jogando Super Mário em pleno sábado de balada.

Liguei o monitor do computador, entrei no orkut e comecei a analisar o profile de alguns playboys. Reparei que não há playboys maníacos-depressivos-amargurados como eu. Reparei também que estavam sempre sorrindo, felizes, cheio de mulher ao redor. “uau, preciso mudar, essa parece ser uma vida legal”. Peguei papel, caneta e fiz uma lista;

Primeiro: Nada de ficar em casa vendo Star Wars, descobri que não sou um cavaleiro Jedi e esse negócio de “uonnnnnnnnn” pra cá, “uonnnnnnnnnnnnnnnnnnn” pra lá, não vai me levar a lugar nenhum. Segundo: Preciso de um carro. É, um carro, todo playsson tem um carro. Lembrei que não tenho um, mas sei lá, tenho uma bike, talvez se eu colocasse um toca-fita, uma caixinha de som, umas rodas bacanas e desse uma geral, quem sabe ficasse supimpa.

Terceiro: Preciso de músculos, mulher adora essas coisas. É só passar um bombado e elas começam a pagar pau. Olhei pro meu físico de calango hepático e fiquei meio decepcionado – Nota pessoal, apelar para anabolizantes- . Quarto: Nada de vídeo-game. Preciso de outro passatempo, vídeo-game é para Nerds, preciso de um hobby firmeza, arriscado, perigoso, arrogante, coisa de macho, sabe, algo que impressione a mulherada; cogitei seriamente em começar a jogar Dominó.

Quinto: Aprender a dançar. Dançar é fundamental. Não posso ir pra balada e ficar no canto com cara de Moco. Mas isso não vai ser problema pra mim, baixei uns vídeos de “Embalos de Sábado à noite”, com o John Travolta. Vou arrasar.

Sexto: O mais importante do itens. Largar dessa besteira de literatura e sentimentalismo. Mulher não liga pra essas coisas. Tem que chegar chegando, saca. Tipo Carnaval, chegou, puxou e pah, já era. Mulher adora essas coisas, brô. Nada de ficar bancando o bom moço, caso contrário chega outro e pega primeiro. Falar de amor então, isso nem pensar; mulher não quer saber dessas merdas, tem que ter é atitude, “sakoé”.

"e desde então sou porque tu és,

e desde então és, sou e somos

e por amor serei, serás, seremos."

Neruda.

PS: Agora eu sou playboy.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Deixa assim.

Sou a favor em dar um tempo. Certos clichês, de tão usados, tornam-se tão violentos e incompreensíveis quanto verdades absolutas. Sou a favor desse tempo, acredito ser a forma de sair aos poucos de um relacionamento, sem pratos quebrados, sem rasgar fotos, sem agressões verbais, sem a explosão da despedida final.

Sou a favor do tempo; é com ele que colocamos a cabeça no lugar, respiramos fundo, acalmamos a alma. Concordo que dar um tempo é covardia, que é falta de coragem para dizer que tudo acabou, concordo também que esse tempo é um “tchau” que não teve a convicção de um Adeus, é um gesto canalha, honesto, ainda que triste.

Dar um tempo às coisas é um jeito educado de faltar com educação, tem um “quê” de indiferença, beira o cinismo.

Nesse “novo” ano vou pedir um tempo ao mundo, à vida. Só volto quando as coisas estiverem no ritmo do meu samba, até lá; Sugiro café e cigarros.