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Devo me desculpar. Fui rude, hostil, gritei. Perdi a cabeça como quem sempre passa dos limites. A educação morre na medida em que a indiferença fala mais alto. Minha falta de fé dividiu espaço com a falta do que fazer. Sem perceber baixo os olhos, não presto atenção, arrasto as vogais, maltrato, procuro motivo para desistir, para discutir, volto a gritar.
Os ruídos que escuto são sorrisos que não dei valor, continuo alimentando a insegurança como quem ainda não tem a certeza de que é amor. Reconheço olhares, expressões, gestos, reconheço a simpatia, a vontade de tentar mais uma vez. E novamente a sensação de ter colocado tudo a perder.
Acordo do meu exagero quando o coração berra por ajuda. E, inseguro, não tenho certeza por quem chama. Não tenho mais certeza sobre o próprio timbre de voz, hora impaciente e cínico, hora órfão de cumplicidade e compaixão. Não ouso dizer que o sentimento morreu, com medo de que não me sobre nem mesmo as lembranças. Reconheço por adivinhação, não preciso ver para testemunhar. Sei que tenho muito a me desculpar.
Amor não é metade, não é “sua culpa”, não é “minha culpa”, amor é um todo. Em bem verdade vos digo: quando acaba, um morre, o outro vive. Não importa agora se somente um dos dois toca a vida em frente, o sentimento que ficou será sempre dois, porque o amor foi sempre dois...
...sempre maior do que a realidade permitiu, sempre maior do que o coração suportou.