segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Os lados de um Círculo.

"O mundo avança. Sim, respondi, avança, mas dando voltas ao redor do sol." - Memória de Minhas Putas Tristes, Gabriel Garcia Márquez.

Hoje acordei e pensei em procurar um analista, tentar reconstituir, de alguma forma, minhas participações no que há ainda para ser vivido. Começo a achar que deveria ter comparecido aos ensaios de um grito de carnaval qualquer. Começo a achar que ficar calado possa ser um crime. Ter sido menos literal, não pensar nas conseqüências do "sim", sorrir e usar sem ironia o termo “simpatia”. Tenho pensado nesse tipo de bobagem. Tenho pensado bastante nesse tipo de bobagem. Estou ficando velho e ainda sim, meus atos continuam infantis. Talvez fosse hora de crescer; cortar o cabelo, fazer a barba, parar com a literatura e arrumar um emprego de verdade, encontrar uma namorada burra e gostosa, ter uma vida social, tomar sol, assistir o Domingo Legal, fingir gostar das pessoas, extravasar nas baladas da vida, ter um monte de amigos, amar e desamar da noite pro dia.

Influenciei de algum jeito o andamento das coisas, foram passos tortos, incertos, inseguros, avulsos, descomunais. Talvez tenha nascido para ser assim mesmo, "avesso".


No fundo, talvez não possa me culpar, meio que, viver acabou se tornando, tão somente, um pretexto para assistir televisão durante todo o mês de Outubro. Fui uma espécie de entrevista aberta, sem a interação do público, mas com participação total de minha invencível angústia negativa. Chegou um ponto em que as idéias se perderam, as narrativas tornaram-se conflitantes e por fim, encontrei-me imerso na mais completa cegueira do esquecimento.


Esquecimento; omissão, descuido, falta de atenção ou interesse, tirar da memória, ato de perder a lembrança de algo ou alguém. É como você acaba. No mais completo e silencioso esquecimento; como contos circulares, cujo ponto de partida é analisar a trajetória de tudo o que foi dito, onde os acontecimentos outrora escritos com variedades de recursos estilísticos servirão, na verdade, somente como fonte de arrependimento e embaraço.


Do esquecimento, faço minhas piadas pessoais. Do esquecimento, meus olhos, já avermelhados da leitura de meus fracassos, passaram a desistir. Do esquecimento, postei a calmaria da alma. Do esquecimento, perfurei a lucidez de minhas escolhas. Do esquecimento, emudeci a beleza que há na vida. Do esquecimento, agarrei-me àquilo que achava ser indício de vida....


...E se me perguntares se continuo avançando, direi que: "sim, mas avanço em volta dela e , só, por ela."

Um comentário:

Janaina Naiara disse...

Cara! adorei seus textos;
só não entendi qual é atua?
você é feliz por ser infeliz?
ou se culpa por ser infeliz e achar que não consegui ser feliz.
...Talvez não seja para entender mesmo.
Parabéns você conseguiu me fazer ler um tempão na internet coisa que eu não gosto, prefiro papel.