domingo, 2 de novembro de 2008

Ela, e só por Ela.

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Outro dia minha irmã entrou no quarto e disse: “tem uma amiga minha que quer ficar contigo”. “Não, obrigado”. “Mas você nem sabe de quem eu tô falando”. “Não, obrigado”. “Mas ela disse que te viu na faculdade e gostou de ti”. “Pois mande desgostar”. “Não vai nem querer conhecer a menina”. “Não”. “O que digo pra ela, então?!”. “Diga que não sei sambar, diga que amadureço para dentro de minha própria voz, diga que o que ela sente é prosaico, diga que pra sempre é muito e que tenho aula na segunda, diga que “eu te amo” já pode ser baixado pela internet, diz pra ela que fevereiro ta aí e na semana de carnaval ela vai encontrar inúmeros indivíduos da espécie dela”. “tá, né”.

Pouco lembro do sentimento humano que havia em mim e foi embora tão cedo me deixando assim, órfão de lembranças agradáveis, e o que ficou..............., bom, o que ficou em mim desaba em egoísmo, descaso, metáforas e mentiras. Além de mim, da letra complicada e das palavras secas, nada mais faz sentido. Não vou dividir o pouco que tenho com ninguém, o coração é meu.

O tom solene e denso da solidão gera a concentração do corpo na garganta, a alma aos poucos pede um tempo e o que sobra é um distanciamento reflexivo. Ao não empregar o vocabulário banal das baladinhas de final de semana, concentra-se os efeitos na profundidade da própria existência.

Cansei desse mundo, cansei da geração “novelinha teen das 6”, cansei de forçar o riso, cansei de tentar ser humano, cansei de tentar sambar. Além das palavras, além de mim, o que há em minha voz é só abismo e poesia............


..............porque a poesia mente, embora de forma apaixonada.

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