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Não confio no acaso. Sempre que fecho meus olhos, vejo e escuto melhor. Deixo de lado os belos sorrisos, a falsidade estampada em cada gesto, cada palavra, cada frase pronta. Manter um distanciamento crítico me deixa lúcido. Lúcido o bastante para não acreditar em contos de fadas, em finais felizes ou em um sonoro e vago “eu te amo”. Renovo o sentido de minhas banalidades para não me juntar a eles, ser só mais um, mais uma conquista, mais um passatempo, mais um álibi.
O esquecimento é mesmo o único perdão, é uma quase solidão que sai pela boca através de um beijo quieto, tímido, vago de noções, beijo que se afasta para ler o que escreveu nos lábios. O esquecimento é o sentimento se justificando, desabafando a vergonha das juras de amor de outrora. Sendo assim é melhor calar o jeito, umedecer os olhos e fingir que nada aconteceu.
Adorava cada briga com ela, cada discussão infundada, adorava quando discordava de mim, adorava sua cara de descaso, as risadas de coisas bobas. Adorava cada detalhe, adorava as madrugadas no msn, adorava ter crises de ciúme por causa dela. Adorava até mesmo minha quase solidão.
Mas o tempo passa; o sentimento vai desaparecendo pelos cantos. Não importa em que tempo estávamos, a falta de palavras agora é também um idioma. O que se esforçou para viver uma hora desaparece. A vivência imaginária também cansa de brincar. Aceitar o que se passou é preferível do que passar em branco.
O esquecimento é mesmo o único perdão
Primeiro Estranha-se, depois Entranha-se.
(Fernando Pessoa).
Um comentário:
Quanto mais conhecemos uma pessoa mais vemos que nunca a conheceremos por um todo! sempre havera algo q não vamos saber ou não vamos quereer saber.
Adorei esse seu poema!
não pare nunca com eles,escreva sempRe! :]
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