Não sei mais separar o que vivi do que imaginei. Um dia em que não pense nela é um dia que não existiu. Imagino-a em carros que passam, em corredores vazios, em salas de aula que ainda não encontrei, em filas de cinema, nos cantos de minha imaginação, nas lacunas de minha lucidez, nos outdoors do meu fracasso. Escrever foi a maneira que encontrei de mantê-la viva em meus pensamentos. A realidade foi bem menor do que desejei. Nunca fui de enumerar os dias que vivi, o que vivo já não interessa. Agora, conto os dias que faltam para que ela se torne somente uma lembrança. Eu não existo aqui, existo naquele momento em que passei a desacreditar na própria capacidade, existo quando lembro daquele sorriso, existo quando penso em pedir pra voltar, existo quando lembro que ela dizia que me odiava, existo em cada dia que penso nela. Agora sou minha própria metáfora. Estou sóbrio há muito tempo e começo a duvidar se ela realmente existe. Escrevo cartas que sei que não vou mandar, cartas que significam minha falta de coragem de falar ao vivo. Em minha defesa, digo que é preciso muita coragem para a covardia, puxar o gatilho nem sempre é desespero. Não suporto a complacência dos otimistas, sei que ela não vai voltar, sei que ela não vai ser minha, sei que tudo não passa de mentira convencida. Todo amor é um modesto esforço de mentira convencida. Se não for mentira, não é amor.
(...) Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos Paralelos
Frente a frente...
Pensar talvez:
"Paralelos que se encontram no infinito...".
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas. (...)
“Neruda”.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos Paralelos
Frente a frente...
Pensar talvez:
"Paralelos que se encontram no infinito...".
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas. (...)
“Neruda”.
Sem a pretensão de poemas, sem a concordância dos defeitos e com argumentações cafonas sigo ignorando a realidade. As verdades foram pré-concebidas, verdades que ultrapassaram a explicação. Faço da matemática literária o descontrole de minha paixão. Sem ela não vivo.
“Fica comigo, fica comigo pra SEMPRE”. Não posso, “pra sempre” é muito tempo e eu tenho aula na Segunda.
Nenhum comentário:
Postar um comentário