No dia em que disse “Adeus” à ela, escrevi cerca de 13 poemas em versos livres, três crônicas amargas e um ensaio de despedida inexistente. Por três vezes achei que não suportaria, por três vezes desisti, por três vezes fui ao inferno, por três vezes a odiei. E por todas as manhãs, acordei apaixonado por ela.
Foi a forma que encontrei de abrandar o coração e suavizar a alma. Os versos dedicados à ela beiravam o desespero. Concentrava as principais virtudes do sentimento, uma visão filosófica sobre o trivial e o excesso de memória que ela deixou.
As palavras não foram capazes de exprimir o que desejava dizer. Se errei, foi por desconfiança da própria voz. Se me escondi foi por covardia. Se desisti antes da hora, foi por amor próprio não correspondido. Se não me esforcei para fazer acontecer, foi pelo timbre amargo da desconfiança.
Durante algum tempo, vivi confortável como uma citação, entre tuas aspas. Estive muito perto da loucura e toda vez que tentei uma reaproximação, pensei que fosse morte. Não lembro dos teus olhos, mas não esqueci teu sorriso.
“Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.(...)
(...) nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.”
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.(...)
(...) nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.”
Pablo Neruda
Se há uma morte para amar, que seja por ela. E mais ninguém.
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