Desabituar. Esta é a palavra. Eu deveria me desabituar do meu atual estilo de vida.
Cansei de tentar procurar as melhores palavras para manter o diálogo vivo. Quem procura as melhores palavras para dizer ainda não está certo. Acredito agora que deva procurar o melhor silêncio. Um silêncio que não silencia. Um silêncio de lado, sem importância. Cansei de tentar ser gentil. Cansei de tentar agradar.
Voltarei esforços e concentração ao meu silêncio. A falta de palavras será meu idioma. A outra parte que continue o diálogo.
Durante muito tempo não apreciei a arrogância dos clássicos, preferi a conversa alta das massas. Mostrei-me interessado e disposto a me juntar a eles.
Descobri o quão patético era me esforçar para equilibrar os olhos durante uma conversa que, nitidamente, não me interessava nenhum pouco. Abandonei então o ato de "rir" no lugar da fala. Minha risada demonstrava intimidade e que, teoricamente, estava ouvindo.
Perdi as contas de quantas vezes olhei para o céu durante uma conversa. E o céu parecia tão pesado que pairava a impressão que cairia sobre nós. Talvez viesse ajudar a me livrar daquele diálogo indesejável.
Toda aquela falação me deixava envergonhado, não a vergonha do arrependimento, mas a vergonha da insuficiência. A insuficiência em não ter coragem de dizer educadamente: "olha, me desculpa, nada pessoal, mas essa conversa persiste em curar minha insônia".
Não me interessa mais ser inteiro para estar presente. Chega de sorrisos, gestos, feições de interesse ou qualquer outro tipo de fingimento. A ausência me deixa mais inteiro, mais à vontade. Posso ser então, o egoísmo em pessoal.
O meu esforço em não deixar acontecer àquele silêncio constrangedor ficou para trás.
De agora em diante prefiro conversar com minha ausência.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário