A desistência da explicação é o início do poema, explicações as quais nem eu mesmo entendo.
Procuro acordar como se estivesse ido embora.
Estar ansioso e inseguro é encostar-se para dormir e ficar ainda mais acordado.
Com todas essas bobagens acredito que toda separação é um laço. Todo divórcio é um vínculo
Fingi que escutava, que estava presente, que me interessava pela minha história.
Escrevo não por excesso de memória, pela fartura de vivência e aventura, e sim pela precariedade dela. Anoto compromissos em agendas antigas, atrasado em preencher os dias em que não vivi. Invento lembranças para não parecer tão à toa e de passagem por aqui. Tão a esmo. Tão vadio. Ser processado por “desviver” e povoar um nome sem propósito e ambição. Faço um esforço para me mostrar ocupado, que nenhum emprego me faria suar dessa forma. Nas redações escolares, odiava temas como "conte-me suas férias". Era capaz de plagiar os alegres veraneios da menina ao lado. Minhas mentiras são necessárias pelo simples fato de que não existem recordações para substituí-las.
Não recordo quando parei de acreditar em mim. O dia, a hora, a palavra. Foi no momento em que lembrar virou sinônimo de perda de tempo e passei a me aborrecer ao rever álbuns de fotografias. Confesso a vergonha de minhas imagens.
Sofro o temor de não ser o que me prometi. O cansaço de não ter feito. A fome que se satisfaz ao engolir a saliva. Não recordo se foi algum amor banido o motivo do desânimo. Pode ter sido o amor próprio não correspondido.
Em algum trecho da vida, me flagrei encerrado e consumido. Disse 'basta' e fui precipitado. Se não fosse orgulhoso, voltaria atrás. O orgulho não me permite amadurecer. O orgulho me envelhece. Meus olhos antigos se parecem ilhas desabitadas, longe para o nado. Logo, cheguei à conclusão deque a alegria não é pessoal como a dor, por isso não a consegui prender perto de mim.
Minha biografia não é, nem de longe, um rascunho para um romance, nem mesmo aqueles de carnaval.
Como não consegui vencer meus inimigos, juntei-me a eles para rir de mim. Não levo tudo muito a sério porque não gosto de carregar nada, portanto acho tudo demasiado cinza. Talvez alguma herança dos tempos de ensino fundamental e médio, onde recebia os mais implacáveis apelidos de infância, por conseguinte, aceitava, ria e tocava a respiração adiante.
Alcançar objetivos me dá sono e tenho andado demasiado sonolento.
Ao menos, como desculpa de minhas atitudes deploráveis, venho me reduzindo ao essencial.
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