sexta-feira, 27 de junho de 2008

Te amo pra sempre.

Falar da proximidade de relacionamentos tem sido um de meus passatempos.
Faço isso para afugentar a distância. Distância dos fracassos sentimentais. Distância que eu mesmo criei.
Vejo pessoas apressadas em dizer que amam. Três dias de relacionamento e "te amo pra sempre". Esse tipo de pessoa faz isso para não conviver com as dúvidas e tampouco gerar suspeitas da legitimidade do sentimento. – patético -.
Há uma pressa coletiva pelo final em todo o início e há uma pressa pessoal pelo início em todo o final.
É obrigatório dizer "eu te amo" para continuar e formalizar o laço.
Pode ser que seja paixão, mas o termo "eu te amo" pula da boca mesmo quando não é solicitado.
Talvez seja atração, mas a expressão "eu te amo" fica sentada na primeira fila até se tornar vaga. Vaga o suficiente para ser comparada com um simples "bom dia". – patético -.
Não que seja totalmente desonesta esse tipo de declaração, mas acredito que a pressa em tentar demonstrar algum tipo de afeto pela outra parte atropela o verdadeiro significado do sentimento. Não reparamos quando definimos ao longo dos dias quando se ama verdadeiramente, simplesmente acontece.
A precipitação do amor é um modo de garantir de vez um relacionamento - patético - .
Tenho a impressão de que dizer "te amo" algumas centenas de vezes ao dia é uma maneira de assegurar que aquela pessoa é sua, e que não mais corre o risco de perdê-la. - patético -. e caso nenhum dos dois fale, amarga-se uma sensação de inutilidade e de desprezo.
Vejo no relacionamento de algumas pessoas que o termo "amor" faz-se por necessidade, não como uma escolha e opção de vida, mas uma exigência.
Minhas feridas, sede e angústia que não se reparte proibi-me de sentir algo assim.
O "amor" pra mim é um mistério que não será abolido e que permanece maior do que a clareza arbitrária da outra parte. O amor depende da penumbra e da insuficiência.
Recuso-me a aceitar a natureza inexplicável do amor e por pura teimosia tento explicá-lo. Mediante meu jogo de comparações, uma definição reforça a outra até se confortar com a sensação de que o amor morreu de vez.
Ainda que incomparável, o amor se faz pela comparação com experiências anteriores. Define-se pela sua força em sobrepujar as lembranças e relações anteriores.
É a superação do que foi vivido que valida ou não sua intensidade.
No meu caso, preferi cultivar rancores.

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